Não sei bem o que se passa comigo, mas tem a ver um pouco com o que tenho lido. Não estou feliz. Não foi desta forma que imaginei o jornalismo. Ficar presos a moldes editoriais politicamente corretos, ser instrumento de chefias superiores, massa de manobra. Não sou assessor de imprensa de diretor de empresa. Não sou empresa. Não sou chefe. Não sou pago pra executar, obedecer sem contestar, argumentar. Sou um homem livre. Tenho escolhas a fazer, eu tenho opções. Não sou obrigado a nada, meu salário não é compensado em papel, meu papel não é compensando com salários. Eu quero mais. Não posso ficar sentado em frente ao computador, espreitando meus colegas pauteiros, na trinca pauta-proposta-marcação. Não sou eu quando estou aqui. Não estarei aqui enquanto não for eu. São maneiras. São passagens. São visões.
De que adianta escrever? Adestraram o jornalismo. Acabou o romance. Tudo é on, tudo é certinho, correto, não podemos isso, não podemos aquilo. Desumanizaram as reportagens. Desumanizaram os prazeres. Não se pode beber uma cerveja para ir a um jogo de futebol. Não se pode jantar com a namorada, beber algumas taças de vinho e ir pra casa dirigindo. Eu ainda tive esse prazer, essa, hoje, aventura. Não podemos assinar matérias, por livre e desespontânea vontade da linha editorial, quisera eu escrever torto em linhas certas. Aliás, posturas curvilíneas são praxe na empresa onde trabalho. Posturas ondulares e convenientes, onde quem se vende, muda de lado. Quem se compra também.
Prefiro arremessar palavras sem direção em linhas falhas. Humanas. Cansadas. Minhas. Não nasci para acatar ideias às quais não concordo, às quais não corroboro. Não se trata de insubordinação hierárquica nem intelectual, não é isso, mas ao entrever pelas perspectivas atuais meu futuro jornalístico, eis que pari um novo eu. Parla!
E, ainda assim, poderia embaralhar a todos com argumentos retos, mas em curva meladas pelo ócio intelectual. Não sou conivente com suborno moral ou empregatício. Sou da criação. Vou arrumar as malas, fechar a porta de casa, apagar as luzes e abrir as janelas: o sol é um sorriso de raios.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
sábado, 22 de maio de 2010
O samba, o futebol e a imprensa
Resultado. Se os fins justificam os meios, como diz-se por aí, ouso corrigir: os fins justificam o fim. Escolhi a profissão por amor ao jornalismo, pelo convívio com as palavras escritas em casa, pelas conversas em rodas de bar, outras de samba. Também o futebol me ajudou a selar minha vocação, misturada ao sangue que corre nas veias deste velho que vos escreve. Apenas o nascimento físico deu-se em terras italianas, mas nasci outras tantas no Rio de Janeiro. Vim pra cá ainda menino e logo me vi rendido pelas paixões imensuráveis destas bandas. Cantar e bater palma nas rodas de samba, jogar e assistir a partidas de futebol e, para relatar tais privilégios que a vida nos proporciona, escrever. Na minha vida, samba, futebol e jornalismo sempre estiveram muito ligados, numa relação respeitosa, mas apaixonada. Justamente aí. Hoje em dia é diferente: a paixão é uma espécie em extinção.
Também me refiro ao sentimento amoroso, o afetivo. Apaixonar-se, atualmente, dá trabalho. É arriscado, não há garantia da recíproca, geralmente a paixão é injusta. É ingrata. Mas não é minha intenção, aqui, falar sob ótica dos amantes, nada de montéquios ou capuletos. Meu protesto é em relação ao polimento do politicamente correto, da adaptação das paixões, expressão que, obviamente, é um paradoxo utopista. Ganhar. Vencer. Não importa o método, não precisa jogar um futebol bonito, não precisa compor samba bonito, não é (mais) preciso uma boa matéria. Produz-se o resultado. Produz-se a plateia.
Recentemente, na lista de convocação para a Copa do Mundo, Dunga deixou o recado. Escolheu jogadores que seguram o resultado. Atletas que não jogam bonito, mas que – para ele – executam bem a tarefa: vencer. Em outro campo, mas já faz uns vinte e poucos anos, não é de hoje, o samba é composto para vender. Para tocar nas rádios. Resultado? Sucesso. Sucesso? Resultado. Antigamente, quando um samba era cantado no terreiro, e rapidamente todos decoravam a letra, seguindo o coro das pastoras, era quase proibido que o o samba saísse dali. Não podia tocar fora. Se desse no rádio, perdia a graça, perdia o sentido. Fazia-se samba por amor ao samba. Pelos sorrisos, pelo som das palmas, pelas melodias. Pelas primeiras partes, pelas segundas. No carnaval, o samba era o principal elemento de uma escola. A espinha dorsal. Se o samba fosse bom, a bateria se encaixava como luva na melodia, na levada. Vencer o desfile? Isso não importava. O samba bem feito era de emocionar o publico, despretensiosamente, se aprochegando devagar. Como no carnaval de 1964, vencido pela Portela. Quase ninguém lembra do samba campeão da escola de Oswaldo Cruz. Mas o que não sai da memória foi o quarto lugar do Império Serrano, com “Aquarela Brasileira”. Resultado, como se vê e se viu, não é vitória.
Quando o assunto é a imprensa, aí, meus amigos, o negócio complica. Temos um jornalismo careta, alinhado ao politicamente correto. Não temos mais senso crítico. As fontes secaram. As assessorias cresceram. É preciso sempre checar, confirmar, rever, reavaliar. O jornalista não pode (nem sabe mais) arriscar. Sua relação com a fonte agora é sempre on, sempre formal. Fabricou-se uma relação alicerçada no...Resultado. A matéria rende se der ibope. A reportagem é boa, se vai interessar ao público, não necessariamente se vai abrir alguma discussão. Como no samba e no futebol, o jornalismo hoje em dia é feito de fora pra dentro. É premeditado, ensaiado, contido: é político. Compõe-se samba hoje com oito, dez compositores. Escala-se um time com oito, dez volantes. Compõe-se uma redação de jornal com profissionais jovens e crus, que aceitam cargos de suma importância em troca de pequenos salários. Exploração velada, um suborno moral. O estagiário de jornalismo é uma espécie de volante e de oitavo compositor. É dispensável, como qualquer um de bom senso perceberia, mas hoje em dia é considerado fundamental. São frutos da pressa social, da pressa intelectual: são resultados do resultado.
Perdeu-se a paixão pelas paixões. Querem adaptar o inadaptável. O samba, o futebol e a imprensa. Nunca foi tão difícil fazer o simples. Nunca foi tão simples fazer o difícil. A ternura dos pequenos gestos, de um drible bem dado, de um refrão bem marcado, de uma reportagem bem feita, não cabe mais no resultado. Querem fazer balcões de negócio das nossas paixões. Não vamos deixar. Nunca. Coração na ponta da chuteira: saber que há dribles mais bonitos que gols. Lembrar: que o sambista é o poeta esquecido, como diz a música. Viver: essa paixão insaciável que move o jornalista, como diz García-Márquez. As paixões não cabem em nós, nós é que cabemos nelas: uma entrega sem fins.
Também me refiro ao sentimento amoroso, o afetivo. Apaixonar-se, atualmente, dá trabalho. É arriscado, não há garantia da recíproca, geralmente a paixão é injusta. É ingrata. Mas não é minha intenção, aqui, falar sob ótica dos amantes, nada de montéquios ou capuletos. Meu protesto é em relação ao polimento do politicamente correto, da adaptação das paixões, expressão que, obviamente, é um paradoxo utopista. Ganhar. Vencer. Não importa o método, não precisa jogar um futebol bonito, não precisa compor samba bonito, não é (mais) preciso uma boa matéria. Produz-se o resultado. Produz-se a plateia.
Recentemente, na lista de convocação para a Copa do Mundo, Dunga deixou o recado. Escolheu jogadores que seguram o resultado. Atletas que não jogam bonito, mas que – para ele – executam bem a tarefa: vencer. Em outro campo, mas já faz uns vinte e poucos anos, não é de hoje, o samba é composto para vender. Para tocar nas rádios. Resultado? Sucesso. Sucesso? Resultado. Antigamente, quando um samba era cantado no terreiro, e rapidamente todos decoravam a letra, seguindo o coro das pastoras, era quase proibido que o o samba saísse dali. Não podia tocar fora. Se desse no rádio, perdia a graça, perdia o sentido. Fazia-se samba por amor ao samba. Pelos sorrisos, pelo som das palmas, pelas melodias. Pelas primeiras partes, pelas segundas. No carnaval, o samba era o principal elemento de uma escola. A espinha dorsal. Se o samba fosse bom, a bateria se encaixava como luva na melodia, na levada. Vencer o desfile? Isso não importava. O samba bem feito era de emocionar o publico, despretensiosamente, se aprochegando devagar. Como no carnaval de 1964, vencido pela Portela. Quase ninguém lembra do samba campeão da escola de Oswaldo Cruz. Mas o que não sai da memória foi o quarto lugar do Império Serrano, com “Aquarela Brasileira”. Resultado, como se vê e se viu, não é vitória.
Quando o assunto é a imprensa, aí, meus amigos, o negócio complica. Temos um jornalismo careta, alinhado ao politicamente correto. Não temos mais senso crítico. As fontes secaram. As assessorias cresceram. É preciso sempre checar, confirmar, rever, reavaliar. O jornalista não pode (nem sabe mais) arriscar. Sua relação com a fonte agora é sempre on, sempre formal. Fabricou-se uma relação alicerçada no...Resultado. A matéria rende se der ibope. A reportagem é boa, se vai interessar ao público, não necessariamente se vai abrir alguma discussão. Como no samba e no futebol, o jornalismo hoje em dia é feito de fora pra dentro. É premeditado, ensaiado, contido: é político. Compõe-se samba hoje com oito, dez compositores. Escala-se um time com oito, dez volantes. Compõe-se uma redação de jornal com profissionais jovens e crus, que aceitam cargos de suma importância em troca de pequenos salários. Exploração velada, um suborno moral. O estagiário de jornalismo é uma espécie de volante e de oitavo compositor. É dispensável, como qualquer um de bom senso perceberia, mas hoje em dia é considerado fundamental. São frutos da pressa social, da pressa intelectual: são resultados do resultado.
Perdeu-se a paixão pelas paixões. Querem adaptar o inadaptável. O samba, o futebol e a imprensa. Nunca foi tão difícil fazer o simples. Nunca foi tão simples fazer o difícil. A ternura dos pequenos gestos, de um drible bem dado, de um refrão bem marcado, de uma reportagem bem feita, não cabe mais no resultado. Querem fazer balcões de negócio das nossas paixões. Não vamos deixar. Nunca. Coração na ponta da chuteira: saber que há dribles mais bonitos que gols. Lembrar: que o sambista é o poeta esquecido, como diz a música. Viver: essa paixão insaciável que move o jornalista, como diz García-Márquez. As paixões não cabem em nós, nós é que cabemos nelas: uma entrega sem fins.
terça-feira, 27 de abril de 2010
O cachorro e o gato
É impressionante. E triste. A constatação não é de hoje, mas minha profissão não existe mais. No lugar onde trabalho, chamam de redação, mas não é pra tanto. O que vemos é um salão imenso com computadores de penúltima geração ( a última parece sempre inalcançável), jovens promissores mas crus, veteranos realizados mas tristes: pessoas distantes mas próximas. O jornalismo morreu e choramos num velório diário mágoas fabricadas. A informação hoje é individualista mas é pública, quer dizer, todos vivem enfurnados em suas mesas, falando baixo com a mão tapando a boca, afundados em cadeiras baixas, olhando para os lados, vigiando quem ouve, vigiando quem fala: vigiando quem vigia. Ser jornalista, hoje, perdeu a graça. Temos uma imprensa alinhada com o estado, o papel do impresso é cobrar, o da televisão é assuntar, o do rádio é informar. Tudo bem, nenhuma novidade por aí, mas a internet é a mistura da trinca. Ponto pro virtual. E ponto também para os jornalistas virtuais, os seguradores de microfone, os vitrinistas de reportagem. Tudo é plástico, envernizado, conveniente. Os jornalistas recém-formados assumiram outra função: são assessores de imprensa da linha editorial da empresa. São pagos para executar tarefas – e não elaborá-las. O jovem é estimulado a atingir metas (isso, estamos falando de jornalismo!) e remunerado em folgas. Não é orientado a por idéias em prática, perde a lição do erro. É treinado, sob brados inflamados de chefes deslumbrados. Poder, esse tesouro da solidão.
Admito, evidentemente, que a tecnologia é a redação do futuro. Quem é cidadão é repórter. Basta ter o patrocínio social e capital, ter a perspicácia de entender que a notícia é um bem público: um bem durável. As pessoas são janelas, notícias são paisagens: são vistas. É claro que informar, agora, é mais fácil, mais prático. Mas a desinformação e a manipulação dos fatos, agora, também, comprometem a credibilidade. Tornou-se muito mais rápido informar, mas desinformar será sempre lento. Os patrões, ao perceberem isso, amarraram, à rédea curta, todos os profissionais recém-saídos dos fornos universitários. Temendo que no jovem estejam – ou que ainda utilizem – as muletas da informação, adestram o novo “jornalista” com teorias práticas e com historinhas de um passado (inalcançável também), para paralisar e imobilizar ideias novas de quem sonhou praticar o ofício.
Portanto, companheiros, o profissional que ingressou no mercado se vê numa sinuca de bico. Fazer jornalismo ou ganhar dinheiro com o jornalismo? Aliás, essa pergunta se aplica a muitos ofícios, mas a discussão, aqui, é sobre o rumo a ser tomado pela imprensa. Explorar o garoto que começa em troca de promoções, de folgas é covardia e uma burrice. Contratar o mais bonito, o que contesta menos, o que não dá trabalho: o que não pensa. O que não retruca. É como ouviu-se numa palestra outro dia: existe o funcionário-cachorro e há o funcionário-gato. O primeiro é o que agrada mais, o engraçado, fiel, que é comprado por um prato de comida, por um canto debaixo de qualquer teto (perdoem-me aqui o trocadilho), que apanha e abana o rabo. Que não contesta. Que não dá problema. Mas que obedece.
O segundo tipo de funcionário, o felino, é aquele que é arisco. Sobe rápido, mas só quando quer. Não é seduzido por comida, apesar de ter fome. É crítico, observador. Contesta, não é de obedecer nem acatar, mas tem vontade própria. Talvez por isso tenha sete vidas, porque é quem sofre as agruras de um velho lobo, mesmo sendo apenas um felino noturno em cima de um muro.
Admito, evidentemente, que a tecnologia é a redação do futuro. Quem é cidadão é repórter. Basta ter o patrocínio social e capital, ter a perspicácia de entender que a notícia é um bem público: um bem durável. As pessoas são janelas, notícias são paisagens: são vistas. É claro que informar, agora, é mais fácil, mais prático. Mas a desinformação e a manipulação dos fatos, agora, também, comprometem a credibilidade. Tornou-se muito mais rápido informar, mas desinformar será sempre lento. Os patrões, ao perceberem isso, amarraram, à rédea curta, todos os profissionais recém-saídos dos fornos universitários. Temendo que no jovem estejam – ou que ainda utilizem – as muletas da informação, adestram o novo “jornalista” com teorias práticas e com historinhas de um passado (inalcançável também), para paralisar e imobilizar ideias novas de quem sonhou praticar o ofício.
Portanto, companheiros, o profissional que ingressou no mercado se vê numa sinuca de bico. Fazer jornalismo ou ganhar dinheiro com o jornalismo? Aliás, essa pergunta se aplica a muitos ofícios, mas a discussão, aqui, é sobre o rumo a ser tomado pela imprensa. Explorar o garoto que começa em troca de promoções, de folgas é covardia e uma burrice. Contratar o mais bonito, o que contesta menos, o que não dá trabalho: o que não pensa. O que não retruca. É como ouviu-se numa palestra outro dia: existe o funcionário-cachorro e há o funcionário-gato. O primeiro é o que agrada mais, o engraçado, fiel, que é comprado por um prato de comida, por um canto debaixo de qualquer teto (perdoem-me aqui o trocadilho), que apanha e abana o rabo. Que não contesta. Que não dá problema. Mas que obedece.
O segundo tipo de funcionário, o felino, é aquele que é arisco. Sobe rápido, mas só quando quer. Não é seduzido por comida, apesar de ter fome. É crítico, observador. Contesta, não é de obedecer nem acatar, mas tem vontade própria. Talvez por isso tenha sete vidas, porque é quem sofre as agruras de um velho lobo, mesmo sendo apenas um felino noturno em cima de um muro.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Expressos do conhecimento
Posso até estar enganado, mas a juventude de hoje não luta por nada. Está satisfeita com o marasmo, escondida em abrigos feudais e consumistas, isolada, sobrevivendo com horas extras e folgas. O país está abandonado e não há crianças felizes, mas infâncias cultivadas em cativeiro. Que falta faz a leitura? Que falta. O engajamento ambiental é a bandeira que tremula nesses novos ventos: tempos atuais. Os pobres cada vez menos ricos. O movimento estudantil falido e sobrevivendo com heranças revolucionárias que vão enferrujando no porão. Temos eleição à vista e o povo vota por interesse, por causa própria. O outro não existe mais. Lembrou-me Churchill: a democracia é o pior dos regimes – salvo todos os outros.
O que enfrentamos neste momento é uma maré de desinformação – talvez esse o grande paradoxo – mesmo com diversos canais de comunicação modernos. Não faz muito tempo, a luta armada era um meio de sobrevivência, uma medida de emergência: resgatar companheiros presos. A revolução pacífica deu-se lentamente, a revolução do povo: somos massa de manobra e não seremos nunca um país digno se não houver a mobilização popular. O que queremos hoje? Se o país se alimenta de escândalos e suas repercussões, onde estão todos?
Aplicou-se um seqüestro intelectual de nós mesmos. Vivemos de contar a história, mas não a fazemos mais. Estamos satisfeitos, sentados no sofá da sala, comentando sobre a novela e seus próximos capítulos. Discordemos do enredo e da trama, mas o futuro do país é assunto dos jornais. Políticos são bandidos, não prestam. Mas tudo na vida é político. Confunde-se os que ocupam cargos de administração pública, sejam eles quais forem, com políticos. Tem-se a idéia errada do adjetivo, substantivaram-no. Esse raciocínio está todo errado. É bem mais interessante procurar saber as histórias da nossa história. Conhecer os personagens. Entender as regras do jogo e não segui-las: questioná-las. Compreender que toda luta é luta, mesmo que não haja armas, mas canetas: palavras. Reconhecer na causa o sentido da vida, mas viver para a família também: preservar-se. Respeitar o silêncio: despertar. A minha revolução é escrita. É impressa. Não aceito suborno moral. Acredito em mim e vou lutar por um mundo melhor. Por isso escrevo caminhos. Por isso cruzo palavras. O conhecimento é um meio de transporte.
O que enfrentamos neste momento é uma maré de desinformação – talvez esse o grande paradoxo – mesmo com diversos canais de comunicação modernos. Não faz muito tempo, a luta armada era um meio de sobrevivência, uma medida de emergência: resgatar companheiros presos. A revolução pacífica deu-se lentamente, a revolução do povo: somos massa de manobra e não seremos nunca um país digno se não houver a mobilização popular. O que queremos hoje? Se o país se alimenta de escândalos e suas repercussões, onde estão todos?
Aplicou-se um seqüestro intelectual de nós mesmos. Vivemos de contar a história, mas não a fazemos mais. Estamos satisfeitos, sentados no sofá da sala, comentando sobre a novela e seus próximos capítulos. Discordemos do enredo e da trama, mas o futuro do país é assunto dos jornais. Políticos são bandidos, não prestam. Mas tudo na vida é político. Confunde-se os que ocupam cargos de administração pública, sejam eles quais forem, com políticos. Tem-se a idéia errada do adjetivo, substantivaram-no. Esse raciocínio está todo errado. É bem mais interessante procurar saber as histórias da nossa história. Conhecer os personagens. Entender as regras do jogo e não segui-las: questioná-las. Compreender que toda luta é luta, mesmo que não haja armas, mas canetas: palavras. Reconhecer na causa o sentido da vida, mas viver para a família também: preservar-se. Respeitar o silêncio: despertar. A minha revolução é escrita. É impressa. Não aceito suborno moral. Acredito em mim e vou lutar por um mundo melhor. Por isso escrevo caminhos. Por isso cruzo palavras. O conhecimento é um meio de transporte.
quinta-feira, 22 de abril de 2010
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